


Tradução de Portela 2026
Conheça a obra "O mistério do príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande"
Letra original e versão traduzida para o francês:
Ê Bará, ê Bará… Ô ô!
Quem rege a sua coroa, Bará?
É o rei de Sakpata
Aláfia do destino no Ifá
Tem mistério que incandeia
Pro Batuque começar
Sou um mistério que incendeia
Pra portela incorporar
Vai, negrinho… vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ô, corre gira, vem revelar
O reino de Ajudá
O pampa é terra negra em sua essência
Alupo, meu senhor, alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o cruzeiro… chave de encruzilhada
É macumba de Custódio no romper da madrugada
Curandeiro, feiticeiro
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (Ô, iaiá!)
Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no Mercado
Ao rito do Rosário
Ainda segue vivo o seu legado
Portela… tu és o próprio trono de Zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé
Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda
Que o povo preto não possa enfrentar!
Ae Oni Bará! Ae Babá Lodê!
A Portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do Rio Grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa de Bará!
Hé Bará, hé Bará... Oh oh !
Qui régit ta couronne, Bará ?
C’est le roi de Sakpata
L’aláfia du destin selon l’Ifá
Il y a un mystère qui embrase
Pour que le batuque commence
Je suis un mystère qui enflamme
Pour que la Portela s’incarne
Vas-y, Negrinho… va porter la libération
Va sauver la tradition
Où l’Afrique s'établit
Oh, corre gira, viens révéler
Le royaume de Ouidah
La pampa est terre noire dans son essence
Alupo, mon seigneur, alupô !
Le xirê commence au son du tambour
Éclaire la croix des âmes... la clé du carrefour
C’est la macumba de Custódio au lever du jour
Le curandeiro mage
Et batuqueiro précurseur
Il a mis l’élite dans le gongá (Oh, iaiá !)
Le fondement dans son terreiro
La foi en l’orisha résiste
De la croyance au Marché
Au rite du Rosário
Son héritage reste toujours vivant
Portela... tu es le trône même de Zumbi
Et du samba, la majesté sur chaque ori
L’iyalorixá de tout axé
Tant qu’il y aura un Pastoreio
La flamme ne s’éteindra jamais
Il n’y a pas d’épreuve
Que le peuple noir ne puisse pas affronter !
Ae oni Bará ! Ae babá lodê !
La Portela est réunie et chargée de dendê
Sous le ciel du Rio Grande
Elle a une prière pour bénir
Le prince héritier de la couronne de Bará !
Glossário:
Bará: No Batuque do Rio Grande do Sul, é a entidade correspondente ao Exu de outras nações, mas com fundamentos específicos. É considerado o orixá dinâmico, dono das chaves, da comunicação e da abertura de caminhos. No enredo, ele é o fio condutor que guia o Negrinho do Pastoreio.
Sakpata: Grafia (comumente associada à família Jeje) para a divindade da terra, da cura e das doenças, conhecida em outras regiões como Obaluaiê ou Omolu. Historicamente e religiosamente, é o orixá que regia a cabeça do príncipe Custódio.
Aláfia: No jogo de búzios (sistema divinatório), é a caída onde todas as conchas caem abertas (voltadas para cima). Na tradição, representa a confirmação absoluta, a luz, o sim pleno e a prosperidade.
Ifá: Sistema de adivinhação milenar de origem iorubá (patrimônio da humanidade pela UNESCO), associado à sabedoria e ao destino. No enredo, refere-se ao oráculo consultado por Custódio que indicou sua vinda ao Brasil.
Batuque: Nome dado à religião de matriz africana desenvolvida no Rio Grande do Sul, distinta do candomblé baiano e da umbanda carioca. Caracteriza-se por cultuar os orixás com ritos, toques de tambor e hierarquias próprias, tendo o príncipe Custódio como um de seus organizadores fundamentais.
Portela: Agremiação carnavalesca fundada em 1923 no Rio de Janeiro. No samba, a escola personifica a narradora que viaja ao Sul para revelar essa história.
Negrinho (do Pastoreio): Entidade popular do folclore gaúcho e da devoção católica, geralmente invocado para encontrar objetos perdidos. No enredo da Portela, ele é ressignificado: deixa de procurar coisas materiais para buscar a memória perdida da negritude gaúcha, guiado por Bará.
Corre gira: Expressão comum na umbanda e em rituais sincréticos para designar a realização de uma sessão espiritual, o movimento circular da energia ou o ato de trabalhar com as entidades.
Reino de Ajudá: Refere-se ao antigo reino localizado no atual Benin (África Ocidental). É o local de nascimento documentado de Custódio Joaquim de Almeida.
Pampa: Bioma típico do Rio Grande do Sul, caracterizado por campos planos e vegetação rasteira. No enredo, simboliza o território onde a semente africana foi plantada.
Alupo/alupô: Saudação sagrada utilizada no Batuque para reverenciar o Bará. Pode ser traduzida como um pedido de licença ou agô.
Xirê: Palavra iorubá que significa celebração ou festa. Nas religiões de matriz africana, designa a roda de dança e cânticos onde os orixás são celebrados e invocados.
Cruzeiro: No enredo, refere-se especificamente ao ponto central do Mercado Público de Porto Alegre. É o cruzamento geográfico dos corredores do mercado onde, segundo a narrativa da escola, Custódio assentou o Bará, tornando-o o "encontro de todos" e a "chave da eternidade".
Encruzilhada: O domínio de Bará. Na sinopse, representa tanto o local físico (o cruzamento do Mercado) quanto a união simbólica de diferentes heranças e destinos.
Macumba de Custódio: Termo usado no enredo para exaltar o poder ritualístico do príncipe. Refere-se às suas práticas de cura, mandingas e despachos que atendiam tanto a elite quanto os pobres.
Curandeiro: Uma das facetas de Custódio. Ele era reconhecido por seus poderes de cura espiritual e física, sendo procurado até por governadores.
Batuqueiro: Adepto da religião do Batuque. Custódio é citado como o batuqueiro precursor.
Gongá: Altar sagrado. Na letra, refere-se ao espaço onde Custódio colocou a "nata" (a elite) para reverenciar o sagrado africano.
Terreiro: Espaço de culto. A sinopse amplia o conceito, citando a igreja do Rosário como um terreiro simbólico e o próprio terreiro do tempo onde Custódio bailou.
Orixá: Divindades das forças da natureza. A sinopse cita vários que compõem o panteão gaúcho: Ogum, Oyá, Xangô, Ibejis, Odé, Otim, Obá, Ossain, Oxum, Iemanjá, Oxalá.
Mercado: É o Mercado Público de Porto Alegre. É o cenário central do enredo, onde está o "cruzeiro de Bará", descrito como o local onde o sagrado foi assentado no coração da cidade.
Rosário: Refere-se à Igreja de Nossa Senhora do Rosário. A sinopse a coloca como o outro polo da religiosidade negra, em contraponto ao Mercado, simbolizando a ocupação do espaço urbano pela fé.
Zumbi: Símbolo da resistência negra. A sinopse diz que Custódio refez o trono de Zumbi no Sul, conectando a luta gaúcha à luta nacional de Palmares.
Ori: Cabeça espiritual. A sinopse menciona que os fiéis "firmam seus oris" para servir a Oxalá.
Iyalorixá: Mãe de santo (sacerdotisa) no Batuque.
Axé: Força vital e poder de realização.
Ae oni Bará, ae baba lodê: Saudação. Pode ser entendida como uma reverência ao senhor do caminho (Bará) e ao pai do lado de fora/mundo.
Carregada no dendê: Metáfora para estar cheia de energia, força, ancestralidade e axé.
Rio Grande: O estado do Rio Grande do Sul, apresentado no enredo como um lugar de veias africanas e pampa negro.
Glossaire :
Bará : Dans le batuque du Rio Grande do Sul, c'est l'entité correspondant à Exu d'autres nations, mais avec des fondements spécifiques. Il est considéré comme l'orisha dynamique, maître des clés, de la communication et de l'ouverture des chemins. Dans l'enredo, il est le fil conducteur qui guide le Negrinho do Pastoreio.
Sakpata : Graphie (couramment associée à la nation jeje) pour la divinité de la terre, de la guérison et des maladies, connue dans d'autres régions sous le nom d'Obaluaiê ou Omolu. Historiquement et religieusement, c'est l'orisha qui régissait la tête du prince Custódio.
Aláfia : Dans le jeu de cauris (système divinatoire), c'est la chute où tous les coquillages tombent ouverts (face vers le haut). Dans la tradition, cela représente la confirmation absolue, la lumière, le « oui » plein et la prospérité.
Ifá : Système de divination millénaire d'origine yoruba (patrimoine de l'humanité par l'UNESCO), associé à la sagesse et au destin. Dans l'enredo, il fait référence à l'oracle consulté par Custódio qui a indiqué sa venue au Brésil.
Batuque : Nom donné à la religion d'origine africaine développée dans le Rio Grande do Sul, distincte du candomblé bahianais et de l'umbanda carioca. Elle se caractérise par le culte des orishas avec des rites, des rythmes de tambour et des hiérarchies propres, ayant le prince Custódio comme l'un de ses organisateurs fondamentaux.
Portela : École de samba fondée en 1923 à Rio de Janeiro. Dans le samba, l'école personnifie la narratrice qui voyage vers le sud pour révéler cette histoire.
Negrinho (do Pastoreio) : Entité populaire du folklore gaúcho et de la dévotion catholique, généralement invoquée pour retrouver des objets perdus. Dans l'enredo de Portela, il est resignifié : il cesse de chercher des choses matérielles pour chercher la mémoire perdue de la négritude gaúcha, guidé par Bará.
Corre gira : Expression courante dans l'umbanda et les rituels syncrétiques pour désigner la réalisation d'une séance spirituelle, le mouvement circulaire de l'énergie ou l'acte de travailler avec les entités.
Royaume d'Ouidah : Fait référence à l'ancien royaume de Ouidah, situé dans l'actuel Bénin. C'est le lieu de naissance documenté de Custódio Joaquim de Almeida.
Pampa : Biome typique du Rio Grande do Sul, caractérisé par des champs plats et une végétation rase. Dans l'enredo, il symbolise le territoire où la graine africaine a été plantée.
Alupo/alupô : Salutation sacrée utilisée dans le batuque pour vénérer le Bará. Elle peut être traduite comme une demande de permission ou agô.
Xirê : Mot yoruba signifiant célébration ou fête. Dans les religions de matrice africaine, il désigne la ronde de danse et de chants où les orishas sont célébrés et invoqués.
Croix des âmes : Dans l'enredo, ce terme fait spécifiquement référence au point central du marché public (Mercado Público) de Porto Alegre. C'est le croisement géographique des couloirs du marché où, selon le récit de l'école, Custódio a installé le Bará, en faisant le lieu de rencontre de tous et la clé de l'éternité.
Carrefour : Le domaine de Bará. Dans le synopsis, il représente aussi bien le lieu physique (le croisement du Marché) que l'union symbolique de différents héritages et destins.
Macumba de Custódio : Terme utilisé dans l'intrigue pour exalter le pouvoir rituel du prince. Il fait référence à ses pratiques de guérison, ses mandingas et ses offrandes qui servaient aussi bien l'élite que les pauvres.
Curandeiro : L'une des facettes de Custódio. Il était reconnu pour ses pouvoirs de guérison spirituelle et physique, étant consulté même par des gouverneurs.
Batuqueiro : Adepte de la religion du batuque. Custódio est cité comme le batuqueiro précurseur.
Gongá : Autel sacré. Dans les paroles, il fait référence à l'espace où Custódio a placé l'élite pour vénérer le sacré africain.
Terreiro : Espace de culte. Le synopsis élargit le concept, citant l'église du Rosário comme un terreiro symbolique et le terreiro du temps lui-même où Custódio a dansé.
Orisha : Divinités des forces de la nature. La synopsis en cite plusieurs qui composent le panthéon gaúcho : Ogum, Oyá, Xangô, Ibejis, Odé, Otim, Obá, Ossain, Oxum, Iemanjá, Oxalá.
Marché : C'est le Mercado Público (Marché Publique) de Porto Alegre. C'est le décor central de l'enredo, où se trouve le « cruzeiro de Bará », décrit comme le lieu où le sacré a été installé au cœur de la ville.
Rosário : Fait référence à l'Église de Notre-Dame du Rosário (Igreja de Nossa Senhora do Rosário). Le synopsis la place comme l'autre pôle de la religiosité noire, en contrepoint du Marché, symbolisant l'occupation de l'espace urbain par la foi.
Zumbi : Symbole de la résistance noire. Le synopsis dit que Custódio a refait le trône de Zumbi dans le sud, reliant la lutte gaúcha à la lutte nationale de Palmares.
Ori : Tête spirituelle. Le synopsis mentionne que les fidèles « firmam leurs oris » pour servir Oxalá.
Iyalorixá : Mère de saint (prêtresse) dans le Batuque.
Axé : Force vitale et pouvoir de réalisation.
Ae oni Bará, ae babá lodê : Salutation. Elle peut être comprise comme une révérence au maître du chemin (Bará) et au père de l'extérieur/du monde.
Chargée de dendê : Métaphore pour dire qu'elle est pleine d'énergie, de force, d'ancestralité et d'axé.
Rio Grande : L'état du Rio Grande do Sul, présenté dans l'enredo comme un lieu aux veines africaines et à la pampa noire.