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Tradução de Império de Casa Verde 2024

Conheça a obra "Fafá, a cabocla mística em rituais da floresta"

PT-BR

FR

Allez, mon Império

Face à l'ambition, défends la forêt

Tigre guerrier

Ton manteau est notre bouclier et nous sommes la flèche

Qui fend la forêt au son des maracas

Une magie métisse flotte dans l'air

Destin sacré et les cloches en volée

Renouvelant la foi au Círio de Nazaré


Étoile qui naît sous le ciel de kanapi

Dame des eaux, elle a la lumière de Jaci

Mélodie des pèlerins, du vent et de la pluie

C'est Maria dos Jurunas, tout le monde veut l'écouter


Souffle chamanique, caruana et marajoara

Sublime mélodie, voix d’Yara

Dans la « feuille d'amour » et dans le Boi-Bumbá

Fleur cunhã-poranga de la tribu

La magie qui enlace le carimbó et le siriá

L'hymne a résonné pour faire naître la liberté

Elle s'est agenouillée aux pieds de Sa Sainteté

Elle a charmé le Portugal

Le sourire qui répand le bien

Et le talent de Fafá de Belém

Vont briller dans mon carnaval


emoriô, hé emoriô

emoriô, hé emoriô


Cabocla sereine et illuminée

C'est Casa Verde, viens écouter la batucada, mon amour

Je suis imperiano

Unissant ton chant à l'éclat de ma couleur

Vai, meu Império

Se a vida enfrenta a ambição, defenda a floresta

Tigre guerreiro

O teu manto é a nossa proteção, nós somos a flecha

Que avança na mata ao som dos maracás

Encanto mestiço no ar

Destino sagrado e os sinos dobrados

Renovando sua fé no Círio de Nazaré


Estrela que nasce sob o céu de kanapi

Senhora das águas, tem o lume de Jaci

Melodia dos romeiros, do vento e da chuva

É Maria dos Jurunas, todo mundo quer ouvir


Sopro xamã, caruana e marajoara

Solfejo sublime, voz de Yara

Na folha do amor e no Boi-Bumbá

Flor cunhã-poranga da aldeia

A magia que rodeia o carimbó e o siriá

O hino entoou para raiar a liberdade

Se ajoelhou aos pés da santidade

Enamorou Portugal

O sorriso que espalha o bem

E o talento de Fafá de Belém

Vão brilhar no meu carnaval


Ê emoriô, ê emoriô

Ê emoriô, ê emoriô


Cabocla serena iluminada

É Casa Verde, vem ouvir a batucada, amor

Sou imperiano

Unindo o teu canto à expressão da minha cor

GLOSSÁRIO

Império: Referência à Império de Casa Verde, a escola de samba que, neste cenário, atua como o terreiro sagrado onde ocorre o ritual de consagração de Fafá.


Tigre guerreiro: Símbolo da escola. No contexto do enredo, ultrapassa o status de simples mascote para se tornar um guardião místico da floresta, um escudo que protege a cultura amazônica.


Maracás: Instrumentos de percussão indígenas, espécies de chocalhos. No samba, representam a sonoridade ancestral que guia o ritual e desperta os encantados.


Círio de Nazaré: Uma das maiores manifestações religiosas do mundo, realizada em Belém, da qual Fafá é devota.


Kanapi: Ritual sagrado do povo indígena Juruna, ou Yudjá, tradicionalmente uma festa de fim de luto ou de celebração. No enredo, é ressignificado como o momento do nascimento místico da cabocla Fafá.


Jaci: Deusa lua na mitologia tupi. É ela quem ilumina a noite da floresta para permitir o desenrolar do ritual.


Maria dos Jurunas: A união do nome de batismo da cantora, Maria de Fátima, ao povo indígena Juruna que realiza o ritual kanapi. Representa Fafá na qualidade de indígena guerreira.


Caruana: Na pajelança cabocla e nas crenças da ilha de Marajó, são os encantados ou espíritos que habitam o fundo das águas e das florestas. São entidades de cura e de proteção com as quais Fafá possui uma conexão espiritual.


Marajoara: Tudo o que se relaciona à ilha de Marajó, no Pará. O desfile faz alusão à estética, à cerâmica ancestral e à morada dos caruanas.


Iara: A mãe d'água, entidade sereia dos rios amazônicos. O samba compara o canto de Fafá ao solfejo sublime de uma Iara, capaz de enfeitiçar qualquer um que a escute.


Folha de amor: Nome poético e popular da planta tamba-tajá. Segundo a lenda amazônica, nasceu de um casal de indígenas mortos abraçados, motivo pelo qual a planta possui uma folha grande, o homem, que protege a menor, a mulher, em seu verso. É igualmente o título do primeiro álbum de Fafá.


Boi-Bumbá: Tradicional festa folclórica do Norte, especialmente o Festival de Parintins, marcada pela rivalidade entre os bois Caprichoso e Garantido, celebrada na obra de Fafá.


Cunhã-poranga: Expressão tupi que significa mulher bonita. No contexto do Boi-Bumbá, é uma personagem oficial de grande relevo. O samba exalta Fafá com este título de beleza nativa.


Carimbó: Ritmo e dança em roda típicos do Pará, de origem indígena com influência africana e ibérica. Constitui a base musical da carreira de Fafá.


Siriá: Outro ritmo contagiante do Pará, imortalizado por mestre Cupijó, que compõe o mosaico cultural apresentado pela escola.

Fafá de Belém: Cantora brasileira nascida em Belém, no estado do Pará, e grande representante da cultura amazônica. No enredo, Fafá torna-se uma figura simbólica da Amazônia.


Ê emoriô: Referência direta à canção Emoriô, de João Donato e Gilberto Gil, gravada por Fafá em 1975. A música, que cita Oxalá e a natureza, tornou-se um sucesso atemporal da cantora. O samba utiliza este refrão para evocar a ancestralidade e conectar a carreira de Fafá ao sagrado.


Cabocla: Na etnografia, a mestiça de branco e indígena. Na espiritualidade, umbanda ou pajelança, é uma entidade de luz, guerreira e curandeira. O enredo afirma esta identidade espiritual de Fafá.


Casa Verde: O bairro da zona norte de São Paulo onde a escola está sediada, que, durante o carnaval, funde-se metaforicamente com a floresta verde da Amazônia.


Imperiano: O gentílico de quem pertence à escola. No glossário, é tratado com a reverência de uma identidade cultural própria, sendo aquele que fecha seu corpo e guerreia por sua bandeira.







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