top of page

Tradução de Lins Imperial 2020

Conheça a obra "Pinah, a soberana"

PT-BR

FR

Pinah !

Héritière du sang africain

Du sillage qui a traversé l'océan

Mémoires, souvenirs !

Pinah !

Femme guerrière

De lutte, de force, de fougue et d'axé

Le peuple s'incline avec dévotion !

Reine !

De tant de bravoure et de vaillance

Miroir d'une nation

Héritage quilombola

Résistance contre l'oppression

Noire majesté

Le bem-te-vi de la liberté !


Agô, yabá, badauê !

Que résonne la calebasse xequerê !

S'il y a du baque virado à l'autel, noblesse

Tournoie au son du ganzá, altesse !


Royauté

Elle porte dans son corps le samba, sa vocation !

Émerveillant les terreiros

Elle reçoit le couronnement royal

Par tant de royaumes de prestige et de tradition !

Déesse,

La force souveraine et divine

L'essence nilopolitana

L'âme bleue et blanche

Dans ce carnaval

Acclamée par la Lins Imperial !


Bats le rum plus fort car la verte et rose va passer

Pinah, eh, eh, eh, Pinah !

Le cortège te rend révérence

Odara, eh, yalodê !

Pinah!
Herdeira do sangue africano
Do rastro que cruzou o oceano
Memórias, recordações!
Pinah!
Guerreira, mulher
De luta, fibra, raça e axé
Curva-se o povo em devoção!
Rainha!
De tanta bravura e valentia
Espelho de uma nação
Herança quilombola
Resistência contra a opressão
Negra majestade
O bem-te-vi da liberdade!


Agô, yabá, badauê!
Ressoa toque de cabaça xequerê!
Se tem baque virado no altar, nobreza
Gira, ao som do ganzá, alteza!


Realeza
Traz, no corpo, o samba, vocação!
Encantando os terreiros
Recebe a real coroação
De tantos reinos de valor e tradição!
Deusa,
A força soberana divinal
Essência nilopolitana
Alma azul e branca
Nesse carnaval
Aclamada pela Lins Imperial!


Dobre o rum que a verde e rosa vai passar
Pinah, ê, ê, ê, Pinah!
O cortejo é reverência a você
Odara, ê, yalodê!

GLOSSÁRIO

Pinah: Maria da Penha Ferreira, figura emblemática do carnaval brasileiro. Passista lendária, ela marcou a história ao dançar com o Príncipe Charles e encarna a elegância absoluta da realeza negra no samba.


Axé: Energia vital, força sagrada nas religiões afro-brasileiras. Esse conceito traduz o sopro divino e a potência de realização.

Herdeiro quilombola: Faz referência à herança dos quilombos, comunidades fundadas por escravizados fugitivos no Brasil. É o símbolo supremo da liberdade e da resistência negra contra a opressão.


Bem-te-vi da liberdade: Uma metáfora poética e histórica de profundidade monumental. Além do pássaro brasileiro conhecido por sua coragem diante dos predadores (o tirano quiquivi), a expressão faz um eco direto aos Bem-te-vis, os combatentes da Revolta da Balaiada (1838). Esse movimento revolucionário aliou milhares de escravizados fugitivos, formando uma verdadeira realeza de resistência. Pinah encarna a reencarnação contemporânea dessa nobreza de combate. Ela é o pássaro soberano que cruza as barreiras sociais para anunciar a liberdade e proclamar a vitória da herança africana na pista do carnaval.


Agô, yabá badauê: Agô é um pedido de permissão e proteção dirigido aos ancestrais e divindades. Yabá designa os orixás femininos, as rainhas sagradas. Badauê evoca a grande festa e a celebração nas manifestações de afoxé.


Cabaça xequerê: Instrumento de percussão de origem africana composto por uma cabaça seca recoberta por uma rede de contas ou búzios, fundamental nos ritmos ancestrais.


Baque virado: Ritmo característico e intenso do Maracatu Nação, uma manifestação cultural de Pernambuco profundamente ligada à corte real negra e aos cultos afro-brasileiros.


Ganzá: Instrumento de percussão (chocalho cilíndrico) de origem africana, essencial para marcar a cadência e manter o impulso rítmico no samba.


Terreiros: Espaços sagrados onde ocorrem as cerimônias das religiões afro-brasileiras. São igualmente os berços históricos e culturais onde o samba nasceu.


Essência nilopolitana: Referência direta a Nilópolis, a cidade berço da escola de samba Beija-Flor, o reino onde Pinah brilhou e construiu sua lenda no sambódromo.


Alma azul e branca: As cores oficiais da escola Beija-Flor de Nilópolis.


Lins Imperial: A escola de samba que desfila para prestar esta homenagem real.


Rum: O maior e mais grave dos três tambores sagrados do Candomblé. É o tambor mestre que comanda o ritmo e invoca diretamente os orixás (divindades).


Verde e rosa: As cores oficiais da Lins Imperial, que pede solenemente passagem na pista para coroar Pinah.


Odara, eh, yalodê: Odara significa o que é belo, bom, pacífico e positivo na cultura iorubá. Yalodê (Iyalodê) é um título de altíssimo respeito concedido às grandes mulheres líderes da comunidade, frequentemente associado à majestade da deusa Oxum.







bottom of page