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Tradução de Unidos de Vila Isabel 2026

Conheça a obra "Macumbembê, samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África"

Letra original e versão traduzida para o francês:

 

Sonhei macumbembê, sonho samborembá

Macumba é samba e o samba é macumba

Pode até fazer quizumba

Só não pode é separar

Sonho samborembá, macumbembê

Vem da mãe-Terra, firmou ponto na Bahia

E na África Pequena germinou pra florescer

Ê, quilombo... É a Pedra do Sal

Arraigou em terreiro e quintal

No chão batido assentou o fundamento

Foi o Lino de madrinha

De padrinho, espelhamento

Flutuou na capoeira ao perfume de Ciata

Negro príncipe de Ouro...

O anjo de asas de prata

Um ogã-alabê, macumbeiro

A fumaça do cachimbo, Preto Velho soprou

Encanto da gira e da roda de bamba

Poesia da curimba, batuqueiro e cantador

Foi do lundu e do cateterê

Alinhou no linho santo, cavaquinho na mão

Apaixonado Pierrot, afro-rei

A flecha certeira de Oxóssi na canção

Reluz nas escolas, em Noel e Cartola

Ganhou o mundo com o mundo de Paulo Brazão

De todos os tons, a Vila negra é

De todos os sons, a negra Vila é

De China e Ferreira

Mocambo Macacos e Pau da Bandeira

Da nossa favela branca e azul do céu

No branco da tela, o azul do pincel

Vem ser aquarela, pintar a Unidos de Vila Isabel

 

Ora yê yê ô, Oxum

Kabecilê, Xangô

Meus sonhos e tambores, tintas e “Prazeres”

Pra você, Heitor

Ora yê yê ô, mamãe Oxum

Kabecilê, meu pai Xangô

Meus sonhos e tambores, tintas e “Prazeres”

Pra você, Heitor

J’ai rêvé macumbembê, je rêve samborembá

La macumba est samba et le samba est macumba

On peut même faire de la quizumba

Ce qu’on ne peut pas, c’est les séparer

Je rêve samborembá, macumbembê

Il vient de la Terre-Mère et firmou ponto à Bahia

Et dans la Petite Afrique il a germé pour fleurir

Eh, quilombo... C’est la Pedra do Sal

Il s’est enraciné entre terreiro et quintal

Sur la terre battue, le fondement fut posé

Lino, de la marraine

Et du parrain, un miroir vivant

Il a flotté dans la capoeira au parfum de Ciata

Le prince noir d’or...

L’ange aux ailes d’argent

Un ogã-alabê macumbeiro

À la fumée de la pipe, Preto Velho a soufflé

L’enchantement de la gira et de la roda de bamba

La poésie de la curimba, batuqueiro et chanteur

 

Il vint du lundu et du cateretê

S’aligna dans le lin sacré, le cavaquinho à la main

Pierrot amoureux, l’afro-roi

La flèche précise d’Oxóssi dans la chanson

Ça brille dans les écoles, chez Noel et Cartola

Il a gagné le monde avec le monde de Paulo Brazão

De tous les tons, la Vila est noire

De tous les sons, la noire Vila l’est

De China et de Ferreira

Mocambo Macacos et Pau da Bandeira

De notre favela blanche et bleue comme le ciel

Dans le blanc de la toile, le bleu du pinceau

Sois l’aquarelle, viens peindre l’Unidos de Vila Isabel

 

Ora yê yê ô, Oxum

Kabecilê, Xangô

Mes rêves et mes tambours, mes peintures et « Prazeres »

Pour toi, Heitor

Ora yê yê ô, ma mère Oxum

Kabecilê, mon père Xangô

Mes rêves et mes tambours, mes peintures et « Prazeres »

Pour toi, Heitor

Glossário:

Macumbembê, samborembá:​ Expressão criada por Heitor dos Prazeres na embolada Tia Chimba. É uma brincadeira sonora (onomatopeia) que funde o universo sagrado (macumba), a festa de tambor (Bembé) e o ritmo do samba.

Macumba: Termo guarda-chuva para as práticas religiosas afro-brasileiras no Rio de Janeiro antigo. Embora tenha ganho sentido pejorativo popularmente, o enredo resgata o sentido original de rito musical e sagrado.

Quizumba: Gíria de origem banto (quimbundo) para confusão, briga, desordem ou barulho. No samba, representa a agitação vital das ruas.​

 

Bahia: Estado brasileiro. No enredo, é onde o samba "firma ponto" (estabelece suas raízes espirituais) antes de descer para o Rio.

Pequena África: Região histórica na zona portuária do Rio de Janeiro (incluindo a Pedra do Sal e a Praça Onze) onde a comunidade negra recém-liberta se estabeleceu no início do século XX.

Quilombo: Comunidade formada por escravizados fugitivos. Símbolo máximo de resistência negra. O enredo usa o termo para descrever os territórios de samba (como a Pedra do Sal) como espaços de liberdade contemporânea.

Pedra do Sal: Monumento histórico e religioso no Rio de Janeiro, considerado o "berço do samba carioca" e ponto de encontro de estivadores e sambistas pioneiros.

Terreiro: Espaço sagrado de culto afro-brasileiro (candomblé e umbanda).

Quintal: Espaço nos fundos das casas das "tias baianas" (como Tia Ciata). Não era apenas uma área de serviço, mas o santuário onde ocorriam os rituais religiosos e o berço onde nasceu o samba carioca.

Lino: Apelido de infância de Heitor dos Prazeres.

Capoeira: Arte marcial afro-brasileira que mistura dança, luta e música. Heitor praticava capoeira e a retratou em diversas pinturas.

Ciata: Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata). Matriarca do samba, em cuja casa (e quintal) se reuniam as maiores figuras do samba e do candomblé na Pequena África.

Ogã-alabê: Cargo de alta hierarquia no candomblé. O ogã é o protetor civil da casa (não entra em transe), e o alabê é o chefe dos toques e cânticos, responsável por conduzir a energia do ritual através do tambor.

Macumbeiro: Praticante de macumba. Heitor assumia o termo com orgulho, ressignificando-o como identidade cultural.

Preto Velho: Entidade espiritual da umbanda. Representa o espírito de velhos africanos escravizados, conhecidos pela sabedoria, humildade e poder de cura.

Gira: Cerimônia ritual da umbanda ou candomblé onde ocorre a incorporação e a dança em círculo dos médiuns.

Roda de bamba: Reunião de mestres e especialistas (os "bambas") do samba ou da capoeira. O termo designa uma elite cultural e respeitada.

Curimba: Termo da umbanda que designa o conjunto de atabaques (tambores), o ato de tocar e o cântico sagrado.

Batuqueiro: Percussionista. Historicamente, batuque era o nome dado a qualquer festa negra com tambor. O batuqueiro é o guardião desse ritmo.

Lundu: Ritmo de origem africana (banto), considerado um dos avós do samba.

Cateretê: Ritmo e dança de origem indígena (tupi), também influente na formação da música popular brasileira.

Cavaquinho: Pequeno instrumento de quatro cordas, de origem portuguesa, que se tornou ícone do samba. Heitor era exímio instrumentista, conhecido como Mano Heitor do Cavaco/Cavaquinho.

Pierrot: Personagem da commedia dell'arte, apropriado pelo carnaval brasileiro. Heitor compôs o clássico "Pierrô Apaixonado", transformando a figura europeia em ícone do samba lírico.

Oxóssi: Orixá da caça, das matas e da fartura. No enredo, a "flecha certeira" refere-se à vitória de Heitor no primeiro concurso de escolas de samba (1929), organizado por um pai de santo.

Noel e Cartola: Noel Rosa e Cartola. Gigantes do samba e contemporâneos de Heitor, com quem conviveram e compuseram.

Paulo Brazão: Compositor histórico da Vila Isabel. Sua aparição no enredo conecta a escola ao Festival de Artes Negras em Dakar (1966), onde o filme sobre seu samba foi exibido.

China e Ferreira: Antônio Fernandes da Silveira (Seu China) e José Ferreira Leite. Fundadores históricos da Unidos de Vila Isabel.

Mocambo Macacos: Jogo de palavras poético. Mocambo (refúgio/quilombo) é usado para rebatizar o Morro dos Macacos, favela da Vila Isabel, conectando-a à resistência histórica.

Pau da bandeira: Comunidade (favela) que faz parte do complexo do Morro dos Macacos, área de influência da Vila Isabel.

Favela: Comunidade urbana popular. O termo vai além da carência material: é reconhecido como território de potência cultural e criativa.

Unidos de Vila Isabel: Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Vila Isabel, berço de Noel Rosa e Martinho.

Ora yê yê ô, Oxum: Saudação sagrada à orixá Oxum, divindade das águas doces, do ouro, da beleza e do amor.

Kabecilê, Xangô: Saudação sagrada ao orixá Xangô, divindade da justiça, do fogo e do trovão.

Prazeres: Sobrenome de Heitor. No samba, é usado em duplo sentido (tintas e Prazeres), misturando o artista com a alegria de viver.

Glossaire :​ 

Macumbembê, samborembá :​ Expression créée par Heitor dos Prazeres dans l’embolada (chant cadencé) « Tia Chimba ». C’est un jeu sonore (onomatopée) qui fusionne l’univers sacré (macumba), la fête des tambours (Bembé) et le rythme du samba.

Macumba : Terme générique désignant les pratiques religieuses afro-brésiliennes dans l’ancien Rio de Janeiro. Bien qu’il ait acquis un sens péjoratif dans le langage courant, l’enredo récupère son sens originel de rite musical et sacré.

Quizumba : Argot d’origine bantoue (kimbundu) signifiant confusion, bagarre, désordre ou bruit. Dans le samba, il représente l’agitation vitale des rues.​

 

Bahia : État brésilien. Dans l’enredo, c’est là que le samba « ancre ses racines spirituelles » (firma ponto) avant de descendre vers Rio.

Petite Afrique : Région historique de la zone portuaire de Rio de Janeiro (incluant la Pedra do Sal et la Praça Onze) où la communauté noire nouvellement affranchie s’est établie au début du XXe siècle.

Quilombo : Communauté formée par des esclaves fugitifs. Symbole suprême de la résistance noire. L’enredo utilise ce terme pour décrire les territoires du samba (comme la Pedra do Sal) comme des espaces de liberté contemporains.

Pedra do Sal : Monument historique et religieux à Rio de Janeiro, considéré comme le berceau du samba carioca et point de rencontre des dockers et des sambistes pionniers.

Terreiro : Espace sacré du culte afro-brésilien (candomblé et umbanda).

Quintal : Espace à l’arrière des maisons des tantes baianas (comme Tia Ciata). Ce n’était pas seulement une zone de service, mais le sanctuaire où se déroulaient les rituels religieux et le berceau où est né le samba carioca.

Lino : Surnom d’enfance d’Heitor dos Prazeres.

Capoeira : Art martial afro-brésilien qui mêle danse, lutte et musique. Heitor pratiquait la capoeira et l’a représentée dans plusieurs peintures.

Ciata : Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata). Matriarche du samba, dans la maison (et le quintal) de qui se réunissaient les plus grandes figures du samba et du candomblé dans la Petite Afrique.

Ogã-alabê : Titre de haute hiérarchie dans le candomblé. L’ogã est le protecteur civil de la maison (il n’entre pas en transe), et l’alabê est le chef des rythmes et des chants, responsable de la conduite de l’énergie du rituel à travers le tambour.

Macumbeiro : Pratiquant de la macumba. Heitor assumait ce terme avec fierté, le ressignifiant comme une identité culturelle.

Preto Velho : Entité spirituelle de l’umbanda. Il représente l’esprit de vieux africains réduits en esclavage, reconnus pour leur sagesse, leur humilité et leur pouvoir de guérison.

Gira : Cérémonie rituelle de l’umbanda ou du candomblé où ont lieu l’incorporation et la danse en cercle des médiums.

Roda de bamba : Réunion de maîtres et de spécialistes (les « bambas ») du samba ou de la capoeira. Le terme désigne une élite culturelle et respectée.

Curimba : Terme de l’umbanda qui désigne l’ensemble des atabaques (tambours), l’acte de jouer et le chant sacré.

Batuqueiro : Historiquement, batuque était le nom donné à toute fête noire avec des tambours. Le batuqueiro est le gardien de ce rythme.

Lundu : Rythme d’origine africaine (bantoue), considéré comme l’un des grands-pères du samba.

Cateretê : Rythme et danse d’origine indigène (tupi), également influent dans la formation de la musique populaire brésilienne.

Cavaquinho : Petit instrument à quatre cordes, d’origine portugaise, devenu une icône du samba. Heitor était un instrumentiste émérite, connu sous le nom de Mano Heitor do Cavaco/Cavaquinho.

Pierrot : Personnage de la commedia dell’arte, approprié par le carnaval brésilien. Heitor a composé le classique « Pierrô Apaixonado », transformant la figure européenne en icône du samba lyrique.

Oxóssi : Orisha de la chasse, des forêts et de l’abondance. Dans l’enredo, la flèche précise fait référence à la victoire d’Heitor lors du premier concours des écoles de samba (1929), organisé par un pai de santo (prêtre afro-brésilien).

Noel et Cartola : Noel Rosa et Cartola. Géants du samba et contemporains d’Heitor, avec qui ils ont vécu et composé.

Paulo Brazão : Compositeur historique de la Vila Isabel. Son apparition dans l’enredo relie l’école au Festival des Arts Nègres de Dakar (1966), où le film sur son samba a été projeté.

China et Ferreira : Antônio Fernandes da Silveira (Seu China) et José Ferreira Leite. Fondateurs historiques de l’école Unidos de Vila Isabel.

Mocambo Macacos : Jeu de mots poétique. Mocambo (refuge/quilombo) est utilisé pour rebaptiser le Morro dos Macacos, favela de la Vila Isabel, la reliant à la résistance historique.

Pau da bandeira : Communauté (favela) faisant partie du complexe du Morro dos Macacos, zone d’influence de la Vila Isabel.

Favela : Communauté urbaine populaire. Le terme va au-delà de la précarité matérielle : il est reconnu comme un territoire de puissance culturelle et créative.

Unidos de Vila Isabel : L’une des écoles de samba les plus traditionnelles de Rio de Janeiro, située dans le quartier de Vila Isabel, berceau de Noel Rosa et Martinho.

Ora yê yê ô, Oxum : Salutation sacrée à l’orisha Oxum, divinité des eaux douces, de l’or, de la beauté et de l’amour.

Kabecilê, Xangô : Salutation sacrée à l’orisha Xangô, divinité de la justice, du feu et du tonnerre.

Prazeres : Nom de famille d’Heitor. Dans le samba, il est utilisé avec un double sens (teintes et « Prazeres »), mêlant l’artiste à la joie de vivre (plaisirs).

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