


Tradução de Vai-Vai 2024
Conheça a obra "Capítulo 4, versículo 3 - Da rua e do povo, o hip-hop: um manifesto paulistano"
Letra original e versão traduzida para o francês:
Laroyê, axé
Me dê licença, saravá, Seu Tranca-Ruas
Eu não ando só
O papo é reto e a ideia não faz curva
Renegados da moderna arte
Não faço parte da elite que insiste em boicotar
Acharam que eu estava derrotado
Quem achou estava errado
Corpo fechado, sou cultura popular
Meu verso é a arma que dispara
E a palavra é a bala pra salvar
Balançou, balançou o Largo São Bento
Moinho de vento, a ginga na dança
Grande triunfo do movimento
No breaking o corpo balança
Solta o som, alô, DJ
Que eu mando a rima pra embalar manos e minas
Na batida perfeita, meu rap é a voz
As cores da minha aquarela
No muro, a tela que o tempo desfaz
Mas apagar jamais
A força do conhecimento
No gueto, procedimento
Atitude de gente bamba
Tem hip-hop no meu samba
É preto no branco, no tom do meu canto
Preconceito nunca mais
Fogo na estrutura
Justiça, igualdade e paz
Olha nós aí de novo, coroa de rei
Capítulo 4, versículo 3
Vai-Vai manifesta o povo da rua
É tradição e o samba continua
Laroyê, axé !
Donne-moi licence, saravá, Seu Tranca-Ruas
Je ne marche pas seul
Je ne mâche pas mes mots et l'idée va droit au but
Renégats de l'art moderne
Je ne fais pas partie de l'élite qui s'obstine à boycotter
Ils pensaient que j’étais vaincu
Quiconque le pensait avait tort
Corps fermé, je suis la culture populaire
Mon vers est l’arme qui tire
Et le mot est la balle pour sauver
Ça a balancé, ça a balancé le Largo São Bento
Moinho de vento, la ginga dans la danse
Grand triomphe du mouvement
Dans le breaking, le corps balance
Balance le son, allô DJ !
J’envoie la rime pour ambiancer manos et minas
Au rythme parfait, mon rap est la voix
Les couleurs de mon aquarelle
Sur le mur, la toile que le temps défait
Mais effacer, jamais !
La force de la connaissance
Dans le ghetto, c'est le code
Attitude de gente bamba
Il y a du hip-hop dans mon samba
C’est noir sur blanc au ton de mon chant
Les préjugés, plus jamais !
Feu sur la structure
Justice, égalité et paix
Nous revoilà, couronne de roi
Chapitre 4, verset 3
Vai-Vai manifeste le peuple de la rue
C’est la tradition et le samba continue
Glossário:
Axé: Conceito fundamental nas culturas afro-brasileiras que define a força vital e o poder de realização. No contexto do samba, é a energia que permite a existência e a resistência do povo da rua.
Saravá: Uma saudação de respeito e proteção às entidades espirituais e à comunidade. No samba, é direcionada a Seu Tranca-Ruas.
Seu Tranca-Ruas: Entidade de Exu, guardião dos caminhos e das encruzilhadas. No enredo, ele é invocado como o protetor das ruas, dos oprimidos e dos marginalizados, abrindo passagem para o desfile.
Corpo fechado: Estado de proteção espiritual absoluta contra o mal físico e simbólico (como a violência ou o preconceito). Ter o corpo fechado significa estar blindado pela fé e pela ancestralidade .
Largo São Bento: Local histórico no centro de São Paulo considerado o berço do hip-hop paulistano. Foi lá, nos anos 80, que as rodas de break e os encontros de MCs começaram a consolidar a cultura de rua.
Moinho de vento: Nome brasileiro dado a um movimento clássico e acrobático do breakdance (conhecido mundialmente como Windmill), onde o dançarino gira o corpo no chão apoiado nos ombros e costas.
Ginga: O movimento corporal malandro e ritmado, essencial tanto na capoeira quanto no samba e na dança de rua. É a flexibilidade de quem sabe se esquivar das dificuldades.
Breaking: Um dos quatro elementos originais da cultura hip-hop. É a dança de expressão e protesto, executada pelos B-boys e B-girls, onde o corpo balança e desafia a gravidade.
Manos e minas: Gíria paulistana de tratamento entre pares na periferia. Representa a irmandade, o respeito mútuo e o código de conduta entre irmãos e irmãs da quebrada.
Gueto: O território da periferia ressignificado. Não é apenas um local de exclusão, mas o espaço de criação, de procedimento (ética) e onde floresce a cultura popular.
Gente bamba: Título honorífico do samba dado a quem tem excelência, sabedoria e malandragem. Não é apenas um mestre, é alguém que possui o respeito da comunidade e domina a arte de viver e sambar.
Capítulo 4, versículo 3: Título da música icônica dos Racionais MC's, faixa do álbum histórico "Sobrevivendo no inferno" (1997). É considerada um dos maiores hinos do rap nacional. O samba usa esse nome para evocar a autoridade de um texto sagrado da rua, elevando a música ao status de bíblia da periferia.
Vai-Vai: Tradicional escola de samba do bairro do Bixiga, conhecida como "a escola do povo". Historicamente ligada à população negra e ao quilombo do Saracura, ela se apresenta como a voz que manifesta a cultura da rua.
Glossaire :
Axé : Concept fondamental dans les cultures afro-brésiliennes définissant la force vitale et le pouvoir de réalisation. Dans le contexte du samba, il représente l'énergie qui permet l'existence et la résistance du peuple de la rue.
Saravá : Salutation de respect et de protection envers les entités spirituelles et la communauté. Dans le samba, elle est adressée à Seu Tranca-Ruas.
Seu Tranca-Ruas : Entité d'Exu, gardien des chemins et des croisements. Dans l'enredo, il est invoqué comme le protecteur des rues, des opprimés et des marginalisés, ouvrant le passage pour le défilé.
Corps fermé : État de protection spirituelle absolue contre le mal physique et symbolique, comme la violence ou les préjugés. Avoir le corps fermé signifie être blindé par la foi et l'ancestralité.
Largo São Bento : Lieu historique du centre de São Paulo considéré comme le berceau du hip-hop paulista. C'est là, dans les années 80, que les cercles de break et les rencontres de MC ont commencé à consolider la culture de rue.
Moinho de vento : Nom brésilien donné à un mouvement classique et acrobatique du breakdance, connu mondialement comme windmill, où le danseur tourne son corps au sol en appui sur les épaules et le dos.
Ginga : Mouvement corporel malin et rythmé, essentiel tant dans la capoeira que dans le samba et la danse de rue. C'est la flexibilité de celui qui sait esquiver les difficultés.
Breaking : L'un des quatre éléments originaux de la culture hip-hop. C'est la danse d'expression et de protestation, exécutée par les B-boys et B-girls, où le corps balance et défie la gravité.
Manos et minas : Argot pauliste pour s'adresser à ses pairs en périphérie. Il représente la fraternité, le respect mutuel et le code de conduite entre frères et sœurs de la banlieue.
Ghetto : Le territoire de la périphérie resignifié. Il dépasse la simple notion de lieu d'exclusion pour devenir l'espace de création, d'éthique et où fleurit la culture populaire.
Gente bamba : Titre honorifique du samba attribué à celui qui possède excellence, sagesse et ruse. Il s'agit de quelqu'un qui possède le respect de la communauté et domine l'art de vivre et de sambar, transcendant le simple statut de maître.
Chapitre 4, veret 3: Titre de la chanson emblématique des Racionais MC's, piste de l'album historique Sobrevivendo no inferno (1997). Elle est considérée comme l'un des plus grands hymnes du rap national. Le samba utilise ce nom pour évoquer l'autorité d'un texte sacré de la rue, élevant la musique au rang de bible de la périphérie.
Vai-Vai : École de samba traditionnelle du quartier de Bixiga, connue comme l'école du peuple. Historiquement liée à la population noire et au quilombo de Saracura, elle se présente comme la voix manifestant la culture de la rue.