


Traduction d'Imperatriz Leopoldinense 2026
Découvrez l'œuvre "Caméléonesque"
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Je suis mi-homme, mi-bête
Le silence et le cri
Oiseau-femme
Celui qui peint la vérité sur le visage
Celui qui porte le courage dans le corps
Et ne cache jamais ce qu'il est
Par le visible et non défini
Il réinvente le fragilité
Ce qui trouble, c'est l'extase
De ce qui défie la facilité
Je chante avec une âme de femme
L'art qui sait ce qu'il veut
Et ne l'oublie pas
Je suis le poème qui affronte le système
La langue dans l'oreille de ceux qui censurent
Libre d'être entier
Car je suis un Homme avec H
Et comme je le suis !
La bête, le bandit, le péché et le sortilège
Paon mystérieux, rebelle, malicieux
La voix qui a nommé la torride rose
La force d'Athènes que le mal ne consume pas
Le sang latin qui devient
Devient, devient loup-garou
Je jure qu'il vaut mieux s'abandonner
À l'air félin et provocateur
Je dévore pour être dévoré
Je ne vois pas de péché au sud de l'Équateur
Jette-toi dans la fête et oublie demain
Mon école est dans la rue, prête à être championne
Viens, mon amour
Vivons la vie
Mets le feu !
Car le jour va naître heureux à la Leopoldina
Sou meio homem, meio bicho
O silêncio e o grito
Pássaro-mulher
Que pinta a verdade no rosto
Traz a coragem no corpo
E nunca esconde o que é
Pelo visível, indefinível
Ressignifica o frágil
O que confunde é o desbunde
Do que desafia o fácil
Canto com alma de mulher
Arte que sabe o que quer
E não se esqueça
Eu sou o poema que afronta o sistema
A língua no ouvido de quem censurar
Livre para ser inteiro
Pois, sou Homem com H
E como sou…
O bicho, bandido, pecado e feitiço
Pavão de mistérios, rebelde, catiço
A voz que à cálida rosa deu nome
A força de Atenas que o mal não consome
O sangue latino que vira
Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar
Ao jeito felino provocador
Devoro pra ser devorado
Não vejo pecado ao sul do Equador
Se joga na festa, esquece o amanhã
Minha escola na rua pra ser campeã
Vem, meu amor
Vamos viver a vida
Bota pra ferver
Que o dia vai nascer feliz na Leopoldina
GLOSSAIRE
Pássaro-mulher: Referência à androginia e à fluidez de gênero de Ney Matogrosso. Evoca seus figurinos de palco híbridos que misturam plumas, maquiagem e uma presença simultaneamente masculina e feminina.
Bandido, pecado e feitiço: O trecho remete diretamente aos álbuns clássicos da carreira solo de Ney Matogrosso nos anos 1970: Bandido (1976), Pecado (1977) e Feitiço (1978). Representam sua fase de provocação moral durante a ditadura.
Pavão de mistérios: Alusão à canção Pavão Mysteriozo, um dos grandes sucessos interpretados por Ney. O pavão simboliza a vaidade, a beleza e o desdobramento visual de suas performances.
A cálida Rosa: Referência ao poema Rosa de Hiroshima de Vinicius de Moraes musicado. No samba, o adjetivo tórrido evoca o calor radioativo da bomba e a intensidade da interpretação do artista.
A força de Atenas: Citação da canção Mulheres de Atenas de Chico Buarque, que aborda a condição feminina. Ney a interpreta para sublinhar a força e a resistência diante da opressão.
O sangue latino: Referência ao hino do grupo Secos e Molhados. A canção fala da condição dos povos latino-americanos, de sua identidade e de sua resistência.
Vira lobisomem: Alusão à canção O Vira, sobre as transformações fantásticas como fadas e lobisomens. Trata-se de uma metáfora da metamorfose constante de Ney.
Sul do Equador: Referência à canção Não Existe Pecado ao Sul do Equador. É uma ode à liberdade sexual e ao prazer tropical, longe das morais rígidas do Norte.
Leopoldina: A região histórica e ferroviária do Rio de Janeiro onde se situa o bairro de Ramos, berço da escola de samba Imperatriz Leopoldinense.