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Traduction d'Unidos do Viradouro 2026

Découvrez l'oeuvre "En avant, Ciça !"

PT-BR

FR

J'ai vu la vie battre comme une chanson

Des millions de mesures pour l'éternité

À chaque battement de mon cœur

Le son qui reflète ta batucada

Là, où le samba est né, du haut du morro

Un enfant rend fier Ismael, « Bicho Novo »

Forgé sous les griffes du vieux lion

On raconte au Largo do Estácio

Le destin gravé dans ses pas

Qui a fait, peu à peu, jaillir une flamme

Il apporte surdo, tarol et repique pour que le maître dirige


Lorsque le sifflet résonne, la magie opère

Dans un train caipira, dans le regard de la baiana

Médaille d'or, swing parfait

Qui marque le cœur de l'école de samba


Si la vie est un enredo, d'autres amours ont défilé

Le maestro a fait du cuir une symphonie

Dans l'audace de ses tambours

La pièce parfaite pour me compléter

Mage des évocations

L'atabaque a commandé ton appel

Pour que la macumba soulève la poussière

Tout en haut, résistera la caixa de Moacyr

Héritage du maître Caveira

Je ne suis qu'un batuqueiro de plus vibrant pour toi

Ciça, merci pour les leçons que j'ai pu apprendre

Et aujourd'hui, à tes pieds

Nous ne faisons qu'un sur cette piste

Dans un Furacão qui n’aura jamais de fin

Notre histoire ne connaît pas d'adieu


Si je dois mourir d'amour, que ce soit du samba

Je suis Viradouro, là où l'art l'a consacré

Nous n'attendons pas la saudade pour chanter

Du maître des maîtres, j'ai hérité le tambour

Eu vi... a vida pulsar como fosse canção

Milhões de compassos pra eternizar

Em cada batida do meu coração

O som que reflete o seu batucar

Lá, onde o samba fez berço, do alto do morro

Um menino orgulha Ismael, Bicho Novo

Forjado nas garras do velho leão

Contam no Largo do Estácio

O destino em seu passo

Que fez, pouco a pouco, uma chama acender

Traz surdo, tarol e repique pro mestre reger


Quando o apito ressoa, parece magia

Num trem caipira, no olhar da baiana

Medalha de ouro, suingue perfeito

Que marca no peito da escola de samba


Se a vida é um enredo, desfilou outros amores

Maestro fez do couro sinfonia

Na ousadia dos seus tambores

Peça perfeita pra me completar

Feiticeiro das evocações

Atabaque mandou te chamar

Pra macumba jogar poeira

No alto, vai resistir a caixa de Moacyr

Legado do Mestre Caveira

Sou eu mais um batuqueiro a pulsar por você

Ciça, gratidão pelas lições que eu pude aprender

E, hoje, aos teus pés

Somos todos um nessa avenida

Num Furacão que nunca vai ter fim

Nossa história não encontra despedida


Se eu for morrer de amor, que seja no samba

Sou Viradouro, onde a arte o consagrou

Não esperamos a saudade pra cantar

Do mestre dos mestres, herdei o tambor

GLOSSAIRE

Ismael: Referência a Ismael Silva, fundador da Deixa Falar, a primeira escola de samba do Brasil. Foi ele quem inventou o uso do surdo de marcação para viabilizar o desfile do samba nas ruas.


Bicho Novo: Apelido de Acelino dos Santos, pioneiro do carnaval carioca e um dos primeiros mestres salas, célebre por sua elegância. Foi também um dos fundadores da Unidos de São Carlos, a atual Estácio de Sá.


Velho leão: O leão é o símbolo emblemático da escola de samba Estácio de Sá.


Largo do Estácio: Bairro histórico nomeado em homenagem ao fundador da cidade, mundialmente conhecido como um dos berços do samba e da boemia carioca.


Surdo, tarol e repique: A trindade rítmica do samba. O surdo é o grande tambor grave que sustenta a pulsação da escola. O tarol é uma caixa de ressonância mais fina, com som metálico, seco e contínuo. O repique é o tambor agudo que inicia a chamada e pelo qual o mestre se comunica com os instrumentistas.


Trem caipira: Referência à obra O Trenzinho do Caipira de Villa Lobos, que retrata a síncope do Brasil profundo. Caipira é uma identidade e uma filosofia de vida que ultrapassa infinitamente o sentido da palavra camponês.


Atabaque: Instrumento de percussão. Este vocábulo integrou o idioma europeu como um empréstimo direto da nossa língua.


Macumba: Expressão religiosa afro-brasileira, mantida em sua língua original para preservar sua evocação e sua força litúrgica.


Caixa: Tambor seco de afinação muito alta, típico da tecnologia percussiva brasileira. O instrumento possui uma engenharia sonora completamente singular, justificando a conservação de seu nome de origem perante o leitor europeu.


Mestre Caveira: O lendário apelido de Mestre Ciça, nascido de seus traços finos e marcantes. Seus ritmistas da Viradouro orgulham se de ser chamados de Bonde do Caveira.


Ciça: Mestre Moacyr, o mestre de bateria homenageado neste samba, célebre por sua técnica incomparável de batida de caixa.


Furacão: Uma referência direta ao Furacão Vermelho e Branco, o nome oficial da bateria da Unidos do Viradouro.


Viradouro: A escola de samba que desfilou em 2026 para celebrar a vida e o tambor de seu grande mestre.








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